quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O bem do desapego


O BEM DO DESAPEGO

Letícia Thompson

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É quando nos preparamos para mudar que percebemos a quantidade de coisas que guardamos sem necessidade.
Nem sabemos por que o fazemos,
mas temos medo de um dia precisar disso ou daquilo e vamos acumulando nossas preciosidades, se assim podemos dizer.
Grande armário é o nosso coração e a nossa alma! Imagino que se um dia tivéssemos que "mudar" esse pedacinho de nós, encontraríamos nele muitas coisas desnecessárias das quais tivemos dificuldade para
nos desvencilhar.
Como nos nossos armários há roupas que nem nos cabem mais, nas gavetas objetos inúteis, há nesse nosso coração certamente sentimentos que há muito deixaram de nos servir, mas que continuam intactos, como se o tempo para eles não tivesse passado.
As águas correm nos rios, mas não no nosso interior.
Elas levam o que encontram pela frente, mas nós nos apegamos ao inútil e nos impedimos assim de desembocar no grande mar da vida que nos oferece novos horizontes.
Se um dia decidirmos mudar de casa e nos oferecermos uma nova vida, não precisamos deixar tudo e nem carregar tudo.
Um coração sábio saberá escolher o que deve ser aproveitado ou não.
Os carinhos que recebemos permanecerão intactos, mesmo se as flores se secaram e as cartas se perderam.
Antigas e amareladas mágoas nunca têm utilidade, a não ser para envelhecer e entristecer nossa alma. Coisas que começamos e nunca terminamos ou continuamos,
ou desistimos.
Não é vergonhoso deixar coisas para trás, pesado mesmo é seguir em frente carregando essas mesmas coisas que nem sabemos onde
vamos colocar.
Valioso demais é nosso coração para que seja maltratado, para que seja a ele negada a chance de se oferecer novas oportunidades e
novos ares.
Cultivar no seu jardim a flor do desapego não significa amar menos ou deixar de apreciar o que de bom
a vida nos oferece.
Apenas mudar nosso olhar em relação ao mundo e se dizer que as coisas realmente bonitas e importantes ficam gravadas para sempre nas paredes da nossa alma, seja qual for nosso caminho.

2 comentários:

Pensador Poético disse...

Maravilhoso !
Por essa poesia eu te agradeço ...
Meus Parabéns !

Císa disse...

Olá Márcia!

Pa-ra-bens pelo post publicado!
Lindo,lindo,mas lindo mesmo!
Ótima escolha!
Até fui pesquisar na net sobre Leticia Thompson e encontrei poemas maravilhosos....

Sabe, nesse aspecto eu sou um pouquinho diferente das outras pessoas...Eu me incomodo quando tem coisas nas gavetas e armários que eu não estou utilizando!
Se tem alguma roupa ou algum acessório ou um papel ou objeto ou qualquer coisa que eu não utilizei nos últimos meses eu jogo tudo fora ou dou para alguém!
Sempre tem alguma coisa no meu carro, para quando eu parar no farol eu doar...Todos os dias que eu abro meu armario ou gavetas eu olho e verifico se tem alguma coisa que eu não estou utilizando e posso me livrar!
As vezes me dá aquele pontinho de dó dentro de mim, mas eu fico firme e passo para frente!
Agora,esse poema que publicou me fez pensar no armario do meu coração e da minha alma...E tive a conclusao que preciso (e preciso muito) fazer a mesma coisa que faço no meu ambiente externo com o meu ambiente interno!
Preciso me livrar de inumeras coisas que guardo dentro de mim sem necessidade nenhuma!
Mas e agora? Como fazer isso??
É fácil no plano fisico,vc pegar algo e jogar no lixo ou passar para outra pessoa...Mas e no plano emocional???
Os sentimentos parece que são enraizados e teimam em ficar no mesmo lugar!
Quero fazer a mesma coisa que faço nos meus armarios! Quero me livrar de tudo que não serve ao meu coração...
Alguém sabe me explicar como faze-lo?
;)

Beijinhos,beijinhos,beijinhos...

Fique com Deus!


** Císa **